A cada dia estamos presenciando mais e mais a busca pelo corpo perfeito, pelo belo sem limites. A imagem está a cada dia mais valorizada e as pessoas correndo riscos sem medidas.

Há alguns meses atrás acompanhamos o caso da Mulher de 39 anos, que residia em Goiânia, uma mulher bonita, jovem, buscando por um procedimento estético que a deixasse mais feminina. E o desenrolar da história você e eu já conhecemos.

E na sequência tivemos o caso da modelo e apresentadora Andressa Urach. Após 25 dias internada na UTI por causa de complicações causadas pela aplicação aparentemente errada de hidrogel, um excesso de produto aplicado, cinco anos antes, Andressa começa a retornar à sua vida normal.

Não venho aqui repetir todas estas histórias novamente, mas falar um pouco sobre os limites da Beleza.

Quero falar aqui de três situações, sendo todas voltadas para o mesmo objetivo e com certeza nenhum deles corretos no meu ponto de vista.

Em PRIMEIRO lugar quero falar sobre as pacientes, que como eu disse acima, sem motivos visíveis e aceitáveis por nós elas procuraram um tratamento estético que pudesse sanar, resolver uma dor que as incomodavam, eu não sei o motivo, você provavelmente também não, mas tudo indica que a satisfação delas iam além do que elas viam no espelho e buscaram de forma imprudente por um tratamento arriscado e com um profissional sem as qualificações necessárias.

O caso da moça de Goiânia, o que me impressiona é como uma pessoa pode arriscar sua vida aos cuidados de uma “pseudo-profissional” que a atende em um quarto de hotel? Sem falar de outras características que talvez eu ou você pudéssemos avaliar, como por exemplo, falta de conduta de atendimento, higiene, conhecimento técnico, orientações incorretas, entre outros pontos que foi apresentado, muitos de nós perceberiam a falta de preparo e condições da aplicadora. Porém era apenas uma paciente, que como a maioria, é leiga no assunto, acreditam em falsas promessas e se submetem à inúmeros procedimentos em, principalmente, ambiente NÃO CLÍNICO, ou seja, ambiente inadequado. No quarto de um hotel, no banheiro de uma academia, na sala de casa, entre outros não recomendados, ainda para piorar sem um profissional adequado, capacitado e com condição de uma orientação correta.

Em SEGUNDO lugar é a questão desta falsa profissional, falsa biomédica, que usou incialmente esta denominação por achar fácil se passar por uma de nós, achou fácil burlar o sistema do nosso conselho de classe, achou que seria menos grave do que dizer ser MEDICA, afinal, ela que nada da saúde é, poderia ter se denominado qualquer outra profissão, e o que vamos fazer?

Precisamos punir esta e qualquer outra pessoa que faça o uso de nossas atribuições sem ser biomédica (o) esteta. Portanto, ao se denominar Biomédica, esta pessoa praticou exercício ilegal da biomedicina. Segundo, esclarecer ao público que o Biomédico Esteta existe desde 2010, de acordo com nossa resolução, do CFBM, 197 de 21 de fevereiro de 2011. Em nossa atividade, seguramente fazemos procedimentos que tem comprovações científicas e que utilizam produtos, medicamentos com reconhecimento da ANVISA. Os biomédicos por virem de uma área laboratorial/hospitalar, tem um exímio cuidado com a saúde do paciente, sabe dos riscos de contaminação, de complicações e estará utilizando técnicas seguras para proporcionar o resultado estético que o paciente tanto busca. Os biomédicos estetas após sua formação acadêmica em Biomedicina, passam por uma pós graduação reconhecida pelo MEC, com o mínimos de 12 meses estudando e pesquisa sobre área da estética. De muitas outras áreas estes tem seus estudos 100% voltados à Estética, avaliações, procedimentos, atendimentos, pós tratamentos e complicações. Lembrando que de todos os procedimentos permitidos ao biomédicos, estes podem realizar os injetáveis, como é o caso da Toxina Botulinica, Intradermoterapia e preenchedores Cutâneos. Casos como estes devem ser veemente repuldiados pela Sociedade Brasileira de Biomédica Esteta, inclusive as colocações de outros profissionais da saúde que tiveram o prazer de usar este caso para desqualificar todo nosso trabalho.

Uma biomédica esteta, com toda a sua formação e pós graduações, não se prestaria a esta situação de efetuar um atendimento num quarto de hotel, e nem mesmo em uma clínica sublocada sem as condições de infraestrutura e legais necessárias para o exercício de sua profissão.

A TERCEIRA situação que deixo aqui para refletirmos é também para os poucos, mas existentes médicos, que foram à público tentar denigrir a imagem dos biomédicos estetas, por meios de facebbok, jornais, TVs, entre outros, muito me espanta classificarem isso como EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA, pois por um lado a aplicadora não se denominou MÉDICA. A estética não é regulamentada e aprovada na MEDICINA, então, como determinar que este é um procedimento médico? Onde está pelas sociedades médicas e CFM que esta é uma técnicas aprovada e muito realizada na medicina dermatológica ou na cirurgia plástica? Fica uma outra pergunta, o problema está na pessoa que aplicou ou na técnica? Por que se o maior problema for quem aplicou, estão aceitando esta uma técnicas reconhecida pelo CFM, sendo assim, uma técnica médica, e então continuo a argumentar, pois é uma técnica segura? Onde está o embasamento cientifico e com reconhecimento das Sociedades na área?

Sequer o procedimento realizado pela aplicadora pode ser considerado como invasivo-cirúrgico. Procedimentos invasivos-cirúrgicos são todos aqueles que de acordo com a RDC nº 185, de 22 de Outubro de 2001 da ANVISA, foi determinado que invasivos são todos os produtos médicos aplicáveis aos orifícios do corpo já existentes. Desde aquela época, qualquer produto (equipamento) que realize troca de energia (laser, ultrassom e afins) ou que seja perfuro cortante (agulhas) em contato com a derme, não seria considerado invasivo. O procedimento realizado possui natureza técnico-legal diferente dos procedimentos com as características apresentadas acima. Considerando as RDCs da ANVISA e a própria Lei do Ato Médico, trata-se de um procedimento perfuro-cortante com uso de substância injetável. Apesar de nós biomédicos possuirmos habilitação para procedimentos injetáveis, na biomedicina estética não realizamos preenchimento de glúteos com preenchedores definitivos, temporários e ou implantes definitivos.

As declarações das entidades médicas, impulsionadas pela mídia de massa não especializada, contrariam todas as leis vigentes e embasamentos técnicos que regulam o setor da Saúde. As entidades médicas contrariam os limites da própria Lei deles, o Ato Médico, que muitos, diversos profissionais da saúde lutaram para que fosse realista, permitindo que todos os profissionais da saúde pudessem aplicar injeções, afinal uma prática já utilizada nas profissões da saúde como enfermagem, farmácia, biomedicina estética e outros. Por fim, a Lei do Ato Médico determinou as diretrizes da profissão, vetando o que já era atuação de outras classes da saúde e aprovando o que poderia ser exclusivo de ato médico, houve a valorização da participação multidisciplinar inserindo todas as 14 profissões da saúde no atendimento ao paciente.

Portanto, essas revelações reforçam ainda mais a falta de sentido nas reivindicações de exercício ilegal da medicina. Dentro dos limites de nossa análise, não se trata de procedimento médico.

Muito do ponto de vista técnico-legal do caso de Goiânia, pude levantar junto a diversos médicos que não fazem esta técnicas, que me disseram que é muito arriscada e preferem não correrem o risco, outro me disse que poderia sim acontecer com um médico, como foi o caso da modelo Andressa Urach. Após 25 dias internada na UTI e a diferença é que ele poderia socorrer a paciente mais rápido, indicando que fosse para um hospital assim que ela ligou reclamando da falta de ar, mas que nada garante que seria salva, poderia morrer da mesma forma. E então, morreria, porém com um médico. Melhor? Pior?

A questão não é somente quem fez, ou o produto, mas que a técnica de preenchimento em tecido adiposo é arriscada perante aos procedimentos injetáveis que o Biomédico Esteta já realiza. Lembrando que tudo que é aplicado em nossos pacientes, requer, conhecimento técnico, uma boa avaliação do paciente, uma boa escolha do produto, saber onde e como está aplicando e cuidados pós procedimento. Ouvindo um médio perito criminal, ele me disse que o Embolo citado, poderia ser não somente do produto mencionado nas reportagens, mas sim do próprio ato de perfurar o paciente com uma cânula grossa e assim poderia esta ter rompido algum vaso, formado embolo que foi de alguma forma pelo vaso sanguíneos, levado aos pulmões certamente.

No caso da modelo Andressa Urach, a substância utilizada para o preenchimento da coxa dela é composto por 98% de água e 2% de poliamida e foi autorizado pela Anvisa na sua marca chamada Aqualift, e de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o hidrogel é um termo genérico utilizado para qualquer gel aquoso.

O registro, vencido em 31/03/2014, era válido apenas para aplicações específicas, como eliminação de assimetria de tecidos moles faciais, eliminação de alterações faciais específicas da idade, aumento do volume dos tecidos moles e correção do contorno de diversas partes do corpo. Nos Estados Unidos, no entanto, o uso do hidrogel é proibido pela Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora americana.

O uso do Hidrogel no Brasil

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o hidrogel é recomendado apenas para procedimentos reparadores da face, em pequenas quantidades, como nas pálpebras, lábios, rugas de expressão e maças do rosto, por exemplo, algo em torno de 2 ml do produto.

O hidrogel não deve ser utilizado como substituto de próteses que aumentem grandes regiões, como os glúteos ou as coxas porque, neste caso, a dose utilizada é bastante superior à recomendada pela Anvisa, o que traz prejuízos à saúde. Isto porque ele não é bem aceito pelo organismo em grandes quantidades, atrapalhando a drenagem linfática e a circulação do sangue, o que pode aumentar o risco de reações adversas, como infecção e fibrose. No caso de Andressa, foram colocados 400 ml em suas coxas, cerca de 200 vezes a quantidade aprovada pela Anvisa.

Quero com isso, alertar ao público que procure sim um biomédico esteta da SBBME, qualificado, para que possa lhe atender nas suas aplicações de Toxina botulínica, preenchimentos cutâneos, intrademoterapias para tratamentos de gorduras localizadas, celulites, estrias, flacidez, tratamentos capilares não cirúrgicos, peeling , laserterapias, entre outros procedimentos realizados pelos Biomedicina Estetas sem cirurgia e da forma mais segura já estudadas nas sociedades científicas.

Alerto aos colegas Biomédicos Estetas que não fechem os olhos para a atuação indevida de Biomédicos que ainda não estão habilitados, e principalmente não e ou mal capacitados, nem daqueles que por alguma imperícia realizam procedimentos que não condiz com nossas condutas. Denuncie, proteja o que nós conquistamos sim, não aguardem apenas que o Conselho e ou a Sociedade façam alguma coisa, a sua denuncia é muito importante.

 

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