Quem é Dra. Ana Carolina Puga

A maioria das pessoas me conhece como mãe da Biomedicina Estética, como a mulher que batalhou para que uma classe e, consequentemente, outras da área da saúde, tivessem a liberdade e o direito de se especializar em uma área que até então era dominada pela classe médica. Mas muitos não sabem que antes de ser mãe da Biomedicina Estética, eu fui mãe da Bruna, aos 16 anos. E se há uma verdade no mundo, é que a maternidade é capaz de transformar as nossas vidas, ainda mais quando se é adolescente e temos um mundo pela frente.

Pois bem, meu mundo era a minha filha. E tudo o que eu pensava era em ser e dar o melhor a ela. Ser exemplo, construir a vida, guiar, e prover, tanto na sua educação, quanto na sua segurança. Por isso eu estudei muito, me formei em Biomedicina, fui trabalhar com análises clínicas e vivi a vida que muitas colegas viveram. EXAUSTIVA, MAL REMUNERADA, MAL RECONHECIDA, ou seja, eu fui diretora de Banco de Sangue, mas para isso tive que sair da minha cidade, deixar para trás meus familiares, meus pais, minha filha.

FALTA DE TEMPO

Eu não tinha tempo para nada, eu acordava de madrugada para atender no banco de sangue, eu não conseguia voltar para minha cidade nem aos finais de semana, pois tinha os plantões e aquilo foi gerando uma angústia muito grande dentro de mim. Eu estava trabalhando muito, dando o meu sangue literalmente, mas via minha vida passar sem que eu estivesse VERDADEIRAMENTE PRESENTE.

Foi preciso mudar

Mas a vida encontra um jeito de nos mostrar que o caminho que estamos trilhando não é o certo, principalmente quando estamos tão desmotivadas. Minha mãe ficou doente, por isso larguei tudo e voltei para o interior, para acompanhar seu tratamento. Quando a poeira assentou eu fui procurar uma recolocação profissional no mercado e aí veio a surpresa. MERCADO SATURADO, não encontrei recolocação. Mesmo tendo um currículo muito bom, experiência e tudo o mais, a área de análises clínicas simplesmente não comportava o tanto de profissionais que estavam entrando no mercado.

Eu tinha um plano B

Foi nesse cenário que parti para o meu plano B. Eu amava estética como usuária e com o conhecimento que tinha como biomédica, percebi que poderia atender pacientes, devolvendo sua autoestima e beleza. Foi assim que surgiu a Acorporalle, a primeira clínica de biomedicina estética do país, em Sertãozinho, interior do estado de São Paulo.

Mas como nem tudo são flores, logo surgiu meu principal desafio, que ia se tornar a força motriz do meu empenho e busca. A RESERVA DE MERCADO. Um pequeno número de profissionais médicos ainda não se conformam até hoje com a nossa atuação na estética e, por diversos momentos, tentam nos impedir de praticar. Tudo isso por medo de perderem seus pacientes, de terem de voltar a praticar puramente a medicina, enfim, minha luta para defender a classe teve início quando fundei a primeira clínica e comecei a despertar o interesse desse pessoal.

E após algumas batalhas, veio a grande vitória

Mas apesar dos desafios, a vitória chegou, no dia 10/10 de 2010, após defesa em plenária, a respeito da biomedicina estética ser uma área de direito do biomédico atuar, meu projeto foi aprovado com unanimidade. Em um dia histórico para mim e para muitos profissionais.

Foi nesse dia emblemático que ganhei o título de mãe da biomedicina estética, pois como qualquer mãe, defendi um filho naquela plenária com unhas e dentes. A partir de então um movimento de profissionais vindo atuar na estética, respaldados por seus Conselhos de Classe tecnicamente, só cresce.

Farmacêuticos, enfermeiros, dentistas, biólogos, fisioterapeutas, ou seja, a classe da saúde cansada e saturada, insatisfeita com a carga excessiva de trabalho, a remuneração insuficiente para concretizar sonhos e viver, QUEM ANTES APENAS SOBREVIVIA, passou a VIVER, OUTRA REALIDADE PROFISSIONAL, com a estética.

Foi preciso me reinventar para me conhecer

E essa sou eu, uma mulher, biomédica, mãe, que me vi perdida, sem saber para onde ir, resolvi empreender na área da estética, mas precisei provar que não só eu, mas todos os profissionais da área da saúde, desde que devidamente habilitados, podiam fazer estética SIM, PODIAM SIM SER LIVRES, TEREM SUAS CLÍNICAS, CONQUISTAREM RECONHECIMENTO E SUCESSO PROFISSIONAL, SEM PERDER A VIDA PESSOAL NO CAMINHO.